quinta-feira, 7 de abril de 2016

A música em mim

Uma expressão tão espontânea ao ser humano, como andar, respirar ou vocalizar, é a tal da musicalidade. Deve ser uma habilidade inata que a gente desenvolve ou atrofia. Mas ainda não achei exemplares da espécie que neguem totalmente o poder da música em dar sentido a várias passagens da nossa vida. Sigmund Freud, personalidade conhecidíssima, já atestou que "...com a música sou quase incapaz de obter qualquer prazer. Uma inclinação mental em mim, racionalista ou talvez analítica, revolta-se contra o fato de comover-me com uma coisa sem saber porque sou assim afetado e o que é que me afeta.”. Não seria uma incapacidade de lidar com o fato de que a música burla qualquer tentativa de análise consciente? Que ela vai direto na veia, na canela, desperta afetos e emoções os quais somos todos sujeitos? Em minha história a música chegou cedo: meus pais se conheceram num ambiente com música ao vivo. Meu pai é músico, então tive a oportunidade de ver e ouvir muita música boa. Mesmo assim não escolhi - inadvertidamente - ser músico. Tem horas que parece que eu fui induzido, já que meus pais se separaram cedo e fui "aconselhado" por minha mãe a deixar a escola de música em favor do ensino tradicional. Mas seria uma injustiça afirmar isso. Sempre enxerguei na música uma fonte inesgotável e surpreendente de satisfação. Ouvia e sentia a música com muito gosto, sem me importar com gêneros. Queria era me arrepiar, sentir aquele calafrio que alguns acordes podem atiçar no corpo. Nesse sentido os tais "calafrios" me levaram a vertentes musicais pouco "sociáveis" pra um jovem de 10-12 anos. Nessa idade, ouvir New Age, Jazz Fusion ou mesmo os Standards era algo bizarro. Já sofri "bullying" devido a isso! Bem, na época em que o rádio era a principal fonte de músicas disponível, era uma frustração ansiogênica ser fisgado por um tema, riff ou voz e o locutor não informar quem tocou. Que grilo! Eu quase que instantaneamente registrava as melodias na memória pra reproduzi-las a qualquer tempo utilizando meu mais novo e inexplorado instrumento musical: o assovio. Eis que um capítulo adormecido por décadas começa na minha vida: um músico frustrado (que não sabe nada de teoria musical) que usa o assobio para curtir as músicas que gosta. Interessante? Pois sim, a questão é que o assobio seguiu se auto burilando ao longo dos anos, despretensiosamente como qualquer atividade prosaica é. Afinal todo mundo assobia, não? Nem que seja um pouquinho, de maneira distraída. A questão é que meu assobio começou a ficar sério a partir do momento que, em meio a músicos profissionais que conheci enquanto produtor de rádio, minha capacidade de memorizar e reproduzir melodias afinadas no assobio foi reconhecida. De novo, de maneira despretensiosa, fui incentivado por quem admirava a registrar essa peripécia, esse quase malabarismo, essa esquisitice que irrita muita gente. Foi então que decidi entrar num estúdio pra gravar algumas melodias. Eis então o mais recente desdobramento dessa aventura musical literalmente em mim. Antes que alguém sugira a brincadeira, nunca pretendi nem pretendo levar a vida no bico.

terça-feira, 15 de março de 2016

Aplicativos de Relacionamento

Uma experiência tão recente mas bem útil e cada vez mais popular: os aplicativos de relacionamento. Um contingente crescente que já se acostumou com termos como "match" ou "crush" promove a ferramenta enquanto espaço privilegiado para aproximar pessoas. Os critérios são típicos de quem se conhece por vias convencionais (leia-se presencialmente) mas se valendo de um diferencial: talvez, sem o aplicativo, você nunca conhecesse tais pessoas. Considere que os círculos, os lugares públicos e a cultura de uma comunidade pode não favorecer a aproximação. Na dinâmica desses aplicativos, e interessar secretamente por alguém até que o segredo seja revelado pelo interesse mútuo é estimulante! Essa conclusão surgiu após alguns meses de uso do Tinder e do Happn, dois dos mais populares. Cada um com suas características de funcionamento e seu perfil de usuário. Entendi que são os usuários que qualificam a experiência de se criar uma página pessoal que, de maneira bem simples, permite que a pessoa publique algumas fotos, indique algumas músicas para sua playlist pessoal e digite alguns caracteres sobre si. Nada complicado, né? Mas há relatos de mulheres criticando alguns traços característicos das páginas masculinas nesse ambiente, enquanto os homens reclamam das fotos femininas (pra variar, homens sendo homens). As mulheres reclamam de homens que partem pro ataque nas primeiras linhas do chat (esqueci de comentar que um chat surge quando duas pessoas demonstram interesse um no outro), que postam fotos de músculos, bebidas e hábitos perdulários ou hedonistas ao extremo. Mas se há demanda para tais páginas é porque há oferta, simples assim. Nesse contexto, minha timidez dá espaço a uma segurança muito bem-vinda. Creio conseguir algum diferencial entre os criticados perfis a partir das ideias que escrevi. Minhas fotos não exprimem beleza física, mas sim algum estímulo a ser ilustrado pelo texto (uma relação inversa entre palavras e imagens). E o resultado é esperado: algumas moças interessadas, algumas batendo papo pelo chat e poucos encontros presenciais. Tem até o caso de pessoas que eu via no corredor do trabalho frequentemente e só começamos a conversar devido ao aplicativo! Claro, tem muita gente que critica, fala mal e até joga praga em quem usa. Muita gente frustrada, gente que no lugar de se apresentar, enumera uma lista de pré-requisitos para alguém ser elegível em seus critérios. Há de tudo nesses aplicativos! Afinal, é um invento humano para uso humano. Claro que esse é um contexto onde cada um busca mostrar o seu melhor. No meu caso, o melhor sempre está por vir...

terça-feira, 1 de março de 2016

E lá se foram quase 7 anos...

Manter um blog não deveria ser responsabilidade de gente sem disciplina. A iniciativa de se criar um blog é louvável (principalmente pra quem o cria), pois deixamos registradas as impressões de uma época. Desde a última publicação neste blog, os desdobramentos dos meus desejos confluíram para criar um cenário bem diverso nesse ano em que cheguei aos 40. Não concretizei o desejo de adquirir um terreno na cidade de Cavalcante-GO. Na época eu estava bem inclinado a isso. Salvo os motivos já expostos em postagem anterior nesse blog, o grande acontecimento que me fez tegiversar foi o surgimento de um terreno na Serra dos Pireneus, em Pirenópolis-GO. Além de ser mais perto de Brasília-DF, o valor do investimento era o mesmo e as condições eram mais favoráveis (acesso mais fácil e a existência de alguns conhecidos na cidade). Desde então sigo investindo tempo, energia e dinheiro nesse hobby, o qual contou com uma casinha abandonada no espaço. Essa mesma que foi recauchutada e serve de abrigo a mim e a quem me visita. Na serra, a localização da casa privilegia o visual do vale onde se situa Pirenópolis. Um lugar especial, que abriga energias ancestrais as quais demandam respeito e algum papel ativo em apaziguar intenções frustradas ao longo dos séculos (a região foi habitada por espanhóis ainda no século XVIII). Ao longo desses 7 quase anos eu tive duas namoradas humanas e um relacionamento mais tranquilo com meus defeitos mas não menos voluntarioso: a referida casinha abandonada. Meus fins de semana nunca mais foram os mesmos. Sinto uma compulsão em estar presente naquela casa, em cuidar de sua integridade e funcionalidade, bem como campear aquele terreno pequeno (4,8 hectares). De início algumas pessoas se empolgaram com a possibilidade de passeio e estadia por lá. Atualmente não é bem assim (e devo confessar que gosto de receber visitas, mas nem sempre há qualidade nestas), mesmo assim me sinto bem seguro nas noites escuras daquele lugar (a casa já foi invadida quatro vezes, mas nunca com alguém dentro). Fiquei assim, retirado, durante os últimos anos. Ouvi reclamações acerca do meu desaparecimento, da minha ausência nos eventos e nas rodas. Calhou desse período ser exatamente o período em que tive complicações nas relações de trabalho, culminando num convite feito por um ex-chefe para que eu fosse embora e buscasse outro lugar. Diante de tal crise, não poderia seguir vulnerável - trabalhando com alguém que me queria ver pelas costas. Pois sim, sobre essa questão do trabalho, vivi períodos em que realmente achei que era doente, que tinha problemas de personalidade e que uma das pessoas as quais dediquei maior confiança me acusava, me retaliava. Deixei nove anos de redação de rádio para encarar outros lugares da empresa onde trabalho. Fui para a TV e vivi a dissolução da referida redação que me acolheu. Segui em órbita, enfim. Aprendi um pouco sobre a produção de documentários mas continuo me achando mais incompetente na TV que quando entrei no rádio. Algumas mudanças mais significativas aconteceram no período em que completei 40 anos. Além de terminar um namoro gostoso - enquanto durou, conheci os aplicativos de relacionamento (que me apresentaram mulheres que eu não conheceria sem essa ferramenta). Fiquei 6 meses afastado do trabalho (fraturei um osso do pulso num acidente de moto), resolvi gravar profissionalmente algumas músicas onde assobio, estou me aproximando mais da religiosidade afro-brasileira e adotei uma cadelinha, a Vanilla. Essa esta sendo a minha companhia mais próxima atualmente. Mudou minha rotina, me legou mais responsabilidades domésticas e me apresentou a pessoas que, sem passear com ela na quadra onde moro, eu não as conheceria. Pois então, durante os últimos 7 anos as mudanças aconteceram e seguem em ritmo mais acelerado atualmente. Tudo fruto de iniciativa, de erros, de apostas e escolhas. Pelo menos um dos aspectos da minha vida que não mudou foi a saúde, que segue estável - salvo um desconforto intestinal ainda inexplicado. Nem a reforma do meu apartamento - que aconteceu em 2014, a minha viagem à Europa pra visitar amigos e as trocas de carro/moto (tirei a carteira A em 2008) foram tão significativas quanto essa mudança de postura que me permitiu encaminhar desejos acalentados por anos, enfim. Creio que ao completar 40 anos, enfim, somente aos 40 consegui sorver uma lufada de energia e ar fresco. Creio que ainda há o que acontecer nessa minha ainda breve passagem pelo planeta. Parece que a minha história estava só aguardando que eu chegasse até aqui para começar a acontecer com um pouco mais de força...