quinta-feira, 7 de abril de 2016
A música em mim
Uma expressão tão espontânea ao ser humano, como andar, respirar ou vocalizar, é a tal da musicalidade.
Deve ser uma habilidade inata que a gente desenvolve ou atrofia. Mas ainda não achei exemplares da espécie que neguem totalmente o poder da música em dar sentido a várias passagens da nossa vida.
Sigmund Freud, personalidade conhecidíssima, já atestou que "...com a música sou quase incapaz de obter qualquer prazer. Uma inclinação mental em mim, racionalista ou talvez analítica, revolta-se contra o fato de comover-me com uma coisa sem saber porque sou assim afetado e o que é que me afeta.”. Não seria uma incapacidade de lidar com o fato de que a música burla qualquer tentativa de análise consciente? Que ela vai direto na veia, na canela, desperta afetos e emoções os quais somos todos sujeitos?
Em minha história a música chegou cedo: meus pais se conheceram num ambiente com música ao vivo. Meu pai é músico, então tive a oportunidade de ver e ouvir muita música boa. Mesmo assim não escolhi - inadvertidamente - ser músico. Tem horas que parece que eu fui induzido, já que meus pais se separaram cedo e fui "aconselhado" por minha mãe a deixar a escola de música em favor do ensino tradicional. Mas seria uma injustiça afirmar isso.
Sempre enxerguei na música uma fonte inesgotável e surpreendente de satisfação. Ouvia e sentia a música com muito gosto, sem me importar com gêneros. Queria era me arrepiar, sentir aquele calafrio que alguns acordes podem atiçar no corpo. Nesse sentido os tais "calafrios" me levaram a vertentes musicais pouco "sociáveis" pra um jovem de 10-12 anos. Nessa idade, ouvir New Age, Jazz Fusion ou mesmo os Standards era algo bizarro. Já sofri "bullying" devido a isso!
Bem, na época em que o rádio era a principal fonte de músicas disponível, era uma frustração ansiogênica ser fisgado por um tema, riff ou voz e o locutor não informar quem tocou. Que grilo! Eu quase que instantaneamente registrava as melodias na memória pra reproduzi-las a qualquer tempo utilizando meu mais novo e inexplorado instrumento musical: o assovio.
Eis que um capítulo adormecido por décadas começa na minha vida: um músico frustrado (que não sabe nada de teoria musical) que usa o assobio para curtir as músicas que gosta. Interessante? Pois sim, a questão é que o assobio seguiu se auto burilando ao longo dos anos, despretensiosamente como qualquer atividade prosaica é. Afinal todo mundo assobia, não? Nem que seja um pouquinho, de maneira distraída. A questão é que meu assobio começou a ficar sério a partir do momento que, em meio a músicos profissionais que conheci enquanto produtor de rádio, minha capacidade de memorizar e reproduzir melodias afinadas no assobio foi reconhecida. De novo, de maneira despretensiosa, fui incentivado por quem admirava a registrar essa peripécia, esse quase malabarismo, essa esquisitice que irrita muita gente. Foi então que decidi entrar num estúdio pra gravar algumas melodias.
Eis então o mais recente desdobramento dessa aventura musical literalmente em mim. Antes que alguém sugira a brincadeira, nunca pretendi nem pretendo levar a vida no bico.
terça-feira, 15 de março de 2016
Aplicativos de Relacionamento
Uma experiência tão recente mas bem útil e cada vez mais popular: os aplicativos de relacionamento.
Um contingente crescente que já se acostumou com termos como "match" ou "crush" promove a ferramenta enquanto espaço privilegiado para aproximar pessoas. Os critérios são típicos de quem se conhece por vias convencionais (leia-se presencialmente) mas se valendo de um diferencial: talvez, sem o aplicativo, você nunca conhecesse tais pessoas. Considere que os círculos, os lugares públicos e a cultura de uma comunidade pode não favorecer a aproximação. Na dinâmica desses aplicativos, e interessar secretamente por alguém até que o segredo seja revelado pelo interesse mútuo é estimulante!
Essa conclusão surgiu após alguns meses de uso do Tinder e do Happn, dois dos mais populares. Cada um com suas características de funcionamento e seu perfil de usuário. Entendi que são os usuários que qualificam a experiência de se criar uma página pessoal que, de maneira bem simples, permite que a pessoa publique algumas fotos, indique algumas músicas para sua playlist pessoal e digite alguns caracteres sobre si. Nada complicado, né? Mas há relatos de mulheres criticando alguns traços característicos das páginas masculinas nesse ambiente, enquanto os homens reclamam das fotos femininas (pra variar, homens sendo homens). As mulheres reclamam de homens que partem pro ataque nas primeiras linhas do chat (esqueci de comentar que um chat surge quando duas pessoas demonstram interesse um no outro), que postam fotos de músculos, bebidas e hábitos perdulários ou hedonistas ao extremo. Mas se há demanda para tais páginas é porque há oferta, simples assim.
Nesse contexto, minha timidez dá espaço a uma segurança muito bem-vinda. Creio conseguir algum diferencial entre os criticados perfis a partir das ideias que escrevi. Minhas fotos não exprimem beleza física, mas sim algum estímulo a ser ilustrado pelo texto (uma relação inversa entre palavras e imagens). E o resultado é esperado: algumas moças interessadas, algumas batendo papo pelo chat e poucos encontros presenciais.
Tem até o caso de pessoas que eu via no corredor do trabalho frequentemente e só começamos a conversar devido ao aplicativo!
Claro, tem muita gente que critica, fala mal e até joga praga em quem usa. Muita gente frustrada, gente que no lugar de se apresentar, enumera uma lista de pré-requisitos para alguém ser elegível em seus critérios. Há de tudo nesses aplicativos! Afinal, é um invento humano para uso humano. Claro que esse é um contexto onde cada um busca mostrar o seu melhor. No meu caso, o melhor sempre está por vir...
terça-feira, 1 de março de 2016
E lá se foram quase 7 anos...
Manter um blog não deveria ser responsabilidade de gente sem disciplina.
A iniciativa de se criar um blog é louvável (principalmente pra quem o cria), pois deixamos registradas as impressões de uma época.
Desde a última publicação neste blog, os desdobramentos dos meus desejos confluíram para criar um cenário bem diverso nesse ano em que cheguei aos 40. Não concretizei o desejo de adquirir um terreno na cidade de Cavalcante-GO. Na época eu estava bem inclinado a isso. Salvo os motivos já expostos em postagem anterior nesse blog, o grande acontecimento que me fez tegiversar foi o surgimento de um terreno na Serra dos Pireneus, em Pirenópolis-GO. Além de ser mais perto de Brasília-DF, o valor do investimento era o mesmo e as condições eram mais favoráveis (acesso mais fácil e a existência de alguns conhecidos na cidade).
Desde então sigo investindo tempo, energia e dinheiro nesse hobby, o qual contou com uma casinha abandonada no espaço. Essa mesma que foi recauchutada e serve de abrigo a mim e a quem me visita. Na serra, a localização da casa privilegia o visual do vale onde se situa Pirenópolis. Um lugar especial, que abriga energias ancestrais as quais demandam respeito e algum papel ativo em apaziguar intenções frustradas ao longo dos séculos (a região foi habitada por espanhóis ainda no século XVIII).
Ao longo desses 7 quase anos eu tive duas namoradas humanas e um relacionamento mais tranquilo com meus defeitos mas não menos voluntarioso: a referida casinha abandonada. Meus fins de semana nunca mais foram os mesmos. Sinto uma compulsão em estar presente naquela casa, em cuidar de sua integridade e funcionalidade, bem como campear aquele terreno pequeno (4,8 hectares). De início algumas pessoas se empolgaram com a possibilidade de passeio e estadia por lá. Atualmente não é bem assim (e devo confessar que gosto de receber visitas, mas nem sempre há qualidade nestas), mesmo assim me sinto bem seguro nas noites escuras daquele lugar (a casa já foi invadida quatro vezes, mas nunca com alguém dentro). Fiquei assim, retirado, durante os últimos anos. Ouvi reclamações acerca do meu desaparecimento, da minha ausência nos eventos e nas rodas. Calhou desse período ser exatamente o período em que tive complicações nas relações de trabalho, culminando num convite feito por um ex-chefe para que eu fosse embora e buscasse outro lugar. Diante de tal crise, não poderia seguir vulnerável - trabalhando com alguém que me queria ver pelas costas.
Pois sim, sobre essa questão do trabalho, vivi períodos em que realmente achei que era doente, que tinha problemas de personalidade e que uma das pessoas as quais dediquei maior confiança me acusava, me retaliava. Deixei nove anos de redação de rádio para encarar outros lugares da empresa onde trabalho. Fui para a TV e vivi a dissolução da referida redação que me acolheu. Segui em órbita, enfim. Aprendi um pouco sobre a produção de documentários mas continuo me achando mais incompetente na TV que quando entrei no rádio.
Algumas mudanças mais significativas aconteceram no período em que completei 40 anos. Além de terminar um namoro gostoso - enquanto durou, conheci os aplicativos de relacionamento (que me apresentaram mulheres que eu não conheceria sem essa ferramenta). Fiquei 6 meses afastado do trabalho (fraturei um osso do pulso num acidente de moto), resolvi gravar profissionalmente algumas músicas onde assobio, estou me aproximando mais da religiosidade afro-brasileira e adotei uma cadelinha, a Vanilla. Essa esta sendo a minha companhia mais próxima atualmente. Mudou minha rotina, me legou mais responsabilidades domésticas e me apresentou a pessoas que, sem passear com ela na quadra onde moro, eu não as conheceria.
Pois então, durante os últimos 7 anos as mudanças aconteceram e seguem em ritmo mais acelerado atualmente. Tudo fruto de iniciativa, de erros, de apostas e escolhas. Pelo menos um dos aspectos da minha vida que não mudou foi a saúde, que segue estável - salvo um desconforto intestinal ainda inexplicado. Nem a reforma do meu apartamento - que aconteceu em 2014, a minha viagem à Europa pra visitar amigos e as trocas de carro/moto (tirei a carteira A em 2008) foram tão significativas quanto essa mudança de postura que me permitiu encaminhar desejos acalentados por anos, enfim. Creio que ao completar 40 anos, enfim, somente aos 40 consegui sorver uma lufada de energia e ar fresco. Creio que ainda há o que acontecer nessa minha ainda breve passagem pelo planeta. Parece que a minha história estava só aguardando que eu chegasse até aqui para começar a acontecer com um pouco mais de força...
domingo, 27 de setembro de 2009
A nova terrinha. Tem visual da cidade. Cerradão forte, nem sei o que pode se fazer por lá. Mas tô bem sereno nessa hora. Aguardo e ajo no tempo dos acontecimentos para não atropelar o processo. O lugar fica a cerca de 120 Km de BsB, nem precisa passar na cidade pra chegar lá. Tem energia elétrica e transformador zerinho, além de um poço artesiano com água limpinha. Falta uma capinada, ajustes na casinha que tem lá, ligar a energia, fazer obras de encanamento, caixa d'água, essas coisas...
No bojo desses projetos inusitados para um assalariado, me peguei lembrando dos colegas de trabalho que faleceram nos últimos dois anos. Jardim e Lena, vítimas de câncer respectivamente em 2007 e 2008. E o conhecimento que essas pessoas adquiriram, as vivências, realizações, as memórias e a filosofia? Qual a razão de tantos planos e tanta energia dedicada a um objetivo se partiremos desse estágio sem aviso?
Pra variar, minha mania de advogado do diabo me coloca essas questões. Tudo é passível de questionamento e compreensão, mesmo sem haver nenhuma pista de como testar o fenômeno. É por isso que questiono os planos humanos. Temos mesmo é que ajudar o próximo em lugar de se esconder. Temos que usar menos os recursos em lugar de somente defender a coleta seletiva de resíduos sólidos. Temos é que abrigar e criar a idéia do novo comportamento. Mas fazer o que eu escrevo não é simples nem pra mim. Adotar um modelo de vida e de consumo que esteja fora do grande modelo social é projeto para uma existência. Você tem que se tornar exemplo sem desejar isso. Tem que revolucionar o sistema e mostrar alternativas sem se chocar com o que vigora. E estaria eu no caminho certo ao investir num pedaço de terra no alto da serra? Um recanto de comunhão com a natureza.
Deixo a resposta para esse dilema por conta do tempo. Não quero boicotar o projeto pessoal, mas também não posso me jogar nas coisas de coração somente. O cérebro também deve funcionar nessas horas. Sentimentos são lindos mas não sustentam a estrutura se vc não for um artista de talento. E ainda tem essa: você tem que ser rotulado como criativo, senão... Espere a próxima geração! E é por isso, por não esperar alguém que dê valor ao que eu penso, sinto e realizo, que eu vou fazer a minha plantação, foi da relação do homem com a planta que a comunidade humana contemporânea pôde atingir o estágio de sociedade da informação...
Ai volto a outro assunto que abordei aqui: pra onde vão ações e filosofias que executamos e defendemos depois da morte? Terra, morte, informação. Pirenópolis, Jardim e Heleninha, afetos e conhecimento. O resumo é morar no mato e ter a melhor conexão possível na Internet, além de uma boa coleção de ferramentas, contatos com gente da região e uma biblioteca particular.
Terra e informação. A morte chega, não se preocupe...
No bojo desses projetos inusitados para um assalariado, me peguei lembrando dos colegas de trabalho que faleceram nos últimos dois anos. Jardim e Lena, vítimas de câncer respectivamente em 2007 e 2008. E o conhecimento que essas pessoas adquiriram, as vivências, realizações, as memórias e a filosofia? Qual a razão de tantos planos e tanta energia dedicada a um objetivo se partiremos desse estágio sem aviso?
Pra variar, minha mania de advogado do diabo me coloca essas questões. Tudo é passível de questionamento e compreensão, mesmo sem haver nenhuma pista de como testar o fenômeno. É por isso que questiono os planos humanos. Temos mesmo é que ajudar o próximo em lugar de se esconder. Temos que usar menos os recursos em lugar de somente defender a coleta seletiva de resíduos sólidos. Temos é que abrigar e criar a idéia do novo comportamento. Mas fazer o que eu escrevo não é simples nem pra mim. Adotar um modelo de vida e de consumo que esteja fora do grande modelo social é projeto para uma existência. Você tem que se tornar exemplo sem desejar isso. Tem que revolucionar o sistema e mostrar alternativas sem se chocar com o que vigora. E estaria eu no caminho certo ao investir num pedaço de terra no alto da serra? Um recanto de comunhão com a natureza.
Deixo a resposta para esse dilema por conta do tempo. Não quero boicotar o projeto pessoal, mas também não posso me jogar nas coisas de coração somente. O cérebro também deve funcionar nessas horas. Sentimentos são lindos mas não sustentam a estrutura se vc não for um artista de talento. E ainda tem essa: você tem que ser rotulado como criativo, senão... Espere a próxima geração! E é por isso, por não esperar alguém que dê valor ao que eu penso, sinto e realizo, que eu vou fazer a minha plantação, foi da relação do homem com a planta que a comunidade humana contemporânea pôde atingir o estágio de sociedade da informação...
Ai volto a outro assunto que abordei aqui: pra onde vão ações e filosofias que executamos e defendemos depois da morte? Terra, morte, informação. Pirenópolis, Jardim e Heleninha, afetos e conhecimento. O resumo é morar no mato e ter a melhor conexão possível na Internet, além de uma boa coleção de ferramentas, contatos com gente da região e uma biblioteca particular.
Terra e informação. A morte chega, não se preocupe...
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Explicando a história. Estive na cidade histórica (não parece mas é!) no final de junho deste ano. Encantado com a belezas da Chapada, esse outro lado menos explorado e divulgado da região começou a me seduzir no sentido de me tornar proprietário de um pedaço de chão na terrinha. Assuntando num restaurante, descobri o contato de um agente que poderia me apresentar a algumas oportunidades. Uma semana depois recebo a visita da moça que me informou esse contato. Ela me conta que estava fechando negócio numa região muito interessante e bem próxima à cidade. Na semana seguinte lá estava eu novamente pra conhecer a terra. Lugar lindo, com muita água, nascentes, sol, montanhas, veredas e um rio sem ponte pra atravessar. A paixão bateu forte e eu fui atrás. Uma galera também se empolgou e quis participar, o qual tomava uma dimensão inesperada.
A questão é a seguinte: comprar um terreno, ser dono de um pedaço de terra num local onde o turismo vem crescendo soa como um ótimo negócio, né? Mas não tenho pretensões financeiras na jogada. Não quero especular e vender mais caro depois. Terra pra mim é sagrada, deve ser tratada com o mesmo zelo que tratamos uma nascente ou um curso dágua, uma vereda ou um ninho de araras. E o contexto onde seu futuro nessa terra acontece também importa. Comecei a considerar alguns pontos da cidade, pois queira ou não esse é o cenário do futuro. São as pessoas e a estrutura da cidade que farão parte do cotidiano. Nesse quesito, a idéia de ser dono de uma terrinha começa a esfriar.
Uma cidade antiga mas não parece ser. Não há patrimônio arquitetônico, museus ou acervos, a história da cidade. Mas por outro lado, as pessoas lá vivem como se não houvesse outro lugar no mundo, com seus costumes e tolerância a gente e hábitos diferentes. Foi assim que comecei a a acessar a sua verdadeira vocação: permanecer do jeito que está. Os processos de exploração de minério andam a passos lentos mas andam. Tem muito caminhão carregado de manganês saindo de lá. Mas parece que não deve prosseguir. Os planos de construção de um resort internacional pairam no ar da cidade, mas só de helicóptero pra visitar as cachoeiras, já que não há estrutura na cidade para abrigar as exigências de um turista de alta classe. Não há uma conjuntura favorável à exploração da atividade, não pela ausência de atrações (muito pelo contrário, são quase 300 cachoeiras e lugares de natureza intocada e paisagem deslumbrante, águas cristalinas e praias de areia branca), mas sim pela postura em relação a quem vem de fora. O turista não é visita alviçareira ou oportunidade. Acho que tem gente na cidade que não gosta nada de negócios mudando a rotina do lugar. A estrutura comercial não favorece nem atrai o turista, já que nesse ponto a cidade não tem diversidade. Imagino que as iniciativas em incrementar o turismo por lá tenha somente a beleza natural, pois a cidade é até sem graça. Mas a gente de fora que lá mora recebe bem quem chega.
Então, como estaria eu inserido nessa situação onde o mato é mais interessante sem a cidade pra apoiar? Como viver numa cidade onde não há uma circulação de idéias e pessoas, que não há essa conexão entre o passado e a abertura para o futuro? Não é esse o caso de outras cidades turísticas (que recebem pessoas do mundo inteiro, cada uma à sua maneira, mas recebem). Posso estar comentendo uma injustiça, mas as pessoas que conheci na cidade não conseguiram me mostrar um lado mais positivo. Admito que meu ponto de vista é limitado, não passei uma temporada inteira na cidade para falar com mais propriedade. Mas também, a distância daqui não ajudam em visitas frequentes.
E assim vou me despedindo da idéia de ter essa terra por lá, não só pela cidade mas também pela cultura do local. Creio que a comunidade quilombola que vive distante mas ainda no município, seja mai acolhedora que os habitantes da histórica cidade. Lá se vão cerca de 10 anos de investimento turístico nesse outro lado do Parque. Já ouvi dizer que existe uma confluência energética que busca barrar o crescimento da região. Conspiração interdimensional para o ocaso dos tempos, os continentes e a Chapada acolhendo quem não partir. Só um cristal gigante e maciço no subsolo para gerar tanta energia...
A questão é a seguinte: comprar um terreno, ser dono de um pedaço de terra num local onde o turismo vem crescendo soa como um ótimo negócio, né? Mas não tenho pretensões financeiras na jogada. Não quero especular e vender mais caro depois. Terra pra mim é sagrada, deve ser tratada com o mesmo zelo que tratamos uma nascente ou um curso dágua, uma vereda ou um ninho de araras. E o contexto onde seu futuro nessa terra acontece também importa. Comecei a considerar alguns pontos da cidade, pois queira ou não esse é o cenário do futuro. São as pessoas e a estrutura da cidade que farão parte do cotidiano. Nesse quesito, a idéia de ser dono de uma terrinha começa a esfriar.
Uma cidade antiga mas não parece ser. Não há patrimônio arquitetônico, museus ou acervos, a história da cidade. Mas por outro lado, as pessoas lá vivem como se não houvesse outro lugar no mundo, com seus costumes e tolerância a gente e hábitos diferentes. Foi assim que comecei a a acessar a sua verdadeira vocação: permanecer do jeito que está. Os processos de exploração de minério andam a passos lentos mas andam. Tem muito caminhão carregado de manganês saindo de lá. Mas parece que não deve prosseguir. Os planos de construção de um resort internacional pairam no ar da cidade, mas só de helicóptero pra visitar as cachoeiras, já que não há estrutura na cidade para abrigar as exigências de um turista de alta classe. Não há uma conjuntura favorável à exploração da atividade, não pela ausência de atrações (muito pelo contrário, são quase 300 cachoeiras e lugares de natureza intocada e paisagem deslumbrante, águas cristalinas e praias de areia branca), mas sim pela postura em relação a quem vem de fora. O turista não é visita alviçareira ou oportunidade. Acho que tem gente na cidade que não gosta nada de negócios mudando a rotina do lugar. A estrutura comercial não favorece nem atrai o turista, já que nesse ponto a cidade não tem diversidade. Imagino que as iniciativas em incrementar o turismo por lá tenha somente a beleza natural, pois a cidade é até sem graça. Mas a gente de fora que lá mora recebe bem quem chega.
Então, como estaria eu inserido nessa situação onde o mato é mais interessante sem a cidade pra apoiar? Como viver numa cidade onde não há uma circulação de idéias e pessoas, que não há essa conexão entre o passado e a abertura para o futuro? Não é esse o caso de outras cidades turísticas (que recebem pessoas do mundo inteiro, cada uma à sua maneira, mas recebem). Posso estar comentendo uma injustiça, mas as pessoas que conheci na cidade não conseguiram me mostrar um lado mais positivo. Admito que meu ponto de vista é limitado, não passei uma temporada inteira na cidade para falar com mais propriedade. Mas também, a distância daqui não ajudam em visitas frequentes.
E assim vou me despedindo da idéia de ter essa terra por lá, não só pela cidade mas também pela cultura do local. Creio que a comunidade quilombola que vive distante mas ainda no município, seja mai acolhedora que os habitantes da histórica cidade. Lá se vão cerca de 10 anos de investimento turístico nesse outro lado do Parque. Já ouvi dizer que existe uma confluência energética que busca barrar o crescimento da região. Conspiração interdimensional para o ocaso dos tempos, os continentes e a Chapada acolhendo quem não partir. Só um cristal gigante e maciço no subsolo para gerar tanta energia...
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Opa! Semana passada estive na Chapada... Sol forte, céu azul, cerrado e tempo seco. Água mineral na cachoeira, lua cheia na fogueira! Como se não existisse obrigação. Volto e sinto o peso do trânsito e do ar. Volto pra casa! Acredito quea casa mesmo é a natureza, e na minha quadra é bem arborizado. Mas não tô falando disso. É o que há de selvagem nas montanhas, árvores tortas, pedra de cristal.
No trabalho as pessoas não se tocam. Gripe A, gripe nova, vírus transmissível pelas secreções respiratórias. Em Alto, uma garota da comunidade remanescente do ENCA 2009, instalada no terreno do Sati (Uma fazenda dentro da cidade) tremia de frio dentro de um sleeping bag. Febre persistente é um dos principais sintomas da nova gripe. Levamos uma sacola de limões pra pra galera, que vivia num estado bem... rústico e meio alienado.
Mas não tem só a Chapada e a nova gripe. Tem.. tem a terrinha (uma viagem que eu não entendi até agora).
No trabalho as pessoas não se tocam. Gripe A, gripe nova, vírus transmissível pelas secreções respiratórias. Em Alto, uma garota da comunidade remanescente do ENCA 2009, instalada no terreno do Sati (Uma fazenda dentro da cidade) tremia de frio dentro de um sleeping bag. Febre persistente é um dos principais sintomas da nova gripe. Levamos uma sacola de limões pra pra galera, que vivia num estado bem... rústico e meio alienado.
Mas não tem só a Chapada e a nova gripe. Tem.. tem a terrinha (uma viagem que eu não entendi até agora).
terça-feira, 14 de julho de 2009
Observando a Imprensa
Estive assistindo ao programa Observatório da Imprensa, na TV Brasil. Na pauta de hoje, o jornalismo e a ecologia. Participaram André Trigueiro da Globo News, Paula Saldanha do programa Expedições e Sérgio Abranches, do site O Eco. Achei inspirador! Não é comum uma editoria sobre meio ambiente nas redações e na verdade a coisa não é por ai.
Como foi dito no programa, o meio ambiente deveria estar em todas as editorias. Na experiência do site O Eco, os repórteres cobriam todo tipo de pauta pela lente da ecologia. Toda atividade humana tem impacto no planeta. Gostei muito da participação de André Trigueiro, eloquente e articulado, sobretudo em suas palavras finais na programa. Não considero aqui o viés do Michael Jackson (na data da morte de MJ, o Jornal das 10 esteve muito bem na reportagem). A Paula Saldanha me lembra o Globinho Repórter, claro. Mais de 30 anos difundindo o Brasil selvagem, seus povos e culturas.
Bem, mas por qual motivo o programa foi inspirador? Eh... eu achei que foi sim, conectou uns fios soltos aqui na cabeça. Ser profissional em comunicação deveria, primeiramente, ser um ecologista. Assumir em suas práticas o papel de reduzir o impacto da sua contribuição para as alterações climáticas. Encarar os fatos, conflitos e investigações jornalísticas como sua missão nesse planeta. Depende da comunicação a mudança necessária no comportamento da massa humana.
Não sei dizer se me tornei comunicador por vocação ou descuido, mas me sinto responsável em exibir a responsabilidade ambiental e estimular a fé na mudança. E por qual motivo não fiz isso ainda? Um dia eu respondo.
Como foi dito no programa, o meio ambiente deveria estar em todas as editorias. Na experiência do site O Eco, os repórteres cobriam todo tipo de pauta pela lente da ecologia. Toda atividade humana tem impacto no planeta. Gostei muito da participação de André Trigueiro, eloquente e articulado, sobretudo em suas palavras finais na programa. Não considero aqui o viés do Michael Jackson (na data da morte de MJ, o Jornal das 10 esteve muito bem na reportagem). A Paula Saldanha me lembra o Globinho Repórter, claro. Mais de 30 anos difundindo o Brasil selvagem, seus povos e culturas.
Bem, mas por qual motivo o programa foi inspirador? Eh... eu achei que foi sim, conectou uns fios soltos aqui na cabeça. Ser profissional em comunicação deveria, primeiramente, ser um ecologista. Assumir em suas práticas o papel de reduzir o impacto da sua contribuição para as alterações climáticas. Encarar os fatos, conflitos e investigações jornalísticas como sua missão nesse planeta. Depende da comunicação a mudança necessária no comportamento da massa humana.
Não sei dizer se me tornei comunicador por vocação ou descuido, mas me sinto responsável em exibir a responsabilidade ambiental e estimular a fé na mudança. E por qual motivo não fiz isso ainda? Um dia eu respondo.
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