A nova terrinha. Tem visual da cidade. Cerradão forte, nem sei o que pode se fazer por lá. Mas tô bem sereno nessa hora. Aguardo e ajo no tempo dos acontecimentos para não atropelar o processo. O lugar fica a cerca de 120 Km de BsB, nem precisa passar na cidade pra chegar lá. Tem energia elétrica e transformador zerinho, além de um poço artesiano com água limpinha. Falta uma capinada, ajustes na casinha que tem lá, ligar a energia, fazer obras de encanamento, caixa d'água, essas coisas...
No bojo desses projetos inusitados para um assalariado, me peguei lembrando dos colegas de trabalho que faleceram nos últimos dois anos. Jardim e Lena, vítimas de câncer respectivamente em 2007 e 2008. E o conhecimento que essas pessoas adquiriram, as vivências, realizações, as memórias e a filosofia? Qual a razão de tantos planos e tanta energia dedicada a um objetivo se partiremos desse estágio sem aviso?
Pra variar, minha mania de advogado do diabo me coloca essas questões. Tudo é passível de questionamento e compreensão, mesmo sem haver nenhuma pista de como testar o fenômeno. É por isso que questiono os planos humanos. Temos mesmo é que ajudar o próximo em lugar de se esconder. Temos que usar menos os recursos em lugar de somente defender a coleta seletiva de resíduos sólidos. Temos é que abrigar e criar a idéia do novo comportamento. Mas fazer o que eu escrevo não é simples nem pra mim. Adotar um modelo de vida e de consumo que esteja fora do grande modelo social é projeto para uma existência. Você tem que se tornar exemplo sem desejar isso. Tem que revolucionar o sistema e mostrar alternativas sem se chocar com o que vigora. E estaria eu no caminho certo ao investir num pedaço de terra no alto da serra? Um recanto de comunhão com a natureza.
Deixo a resposta para esse dilema por conta do tempo. Não quero boicotar o projeto pessoal, mas também não posso me jogar nas coisas de coração somente. O cérebro também deve funcionar nessas horas. Sentimentos são lindos mas não sustentam a estrutura se vc não for um artista de talento. E ainda tem essa: você tem que ser rotulado como criativo, senão... Espere a próxima geração! E é por isso, por não esperar alguém que dê valor ao que eu penso, sinto e realizo, que eu vou fazer a minha plantação, foi da relação do homem com a planta que a comunidade humana contemporânea pôde atingir o estágio de sociedade da informação...
Ai volto a outro assunto que abordei aqui: pra onde vão ações e filosofias que executamos e defendemos depois da morte? Terra, morte, informação. Pirenópolis, Jardim e Heleninha, afetos e conhecimento. O resumo é morar no mato e ter a melhor conexão possível na Internet, além de uma boa coleção de ferramentas, contatos com gente da região e uma biblioteca particular.
Terra e informação. A morte chega, não se preocupe...
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